1. Conheça um cara influente.
2. Faça tudo pela grana.
É isso aí. Mal terminei a faculdade, já tenho meu próprio livro de auto-ajuda profissional.
Agradecimentos: Xin.
1. Conheça um cara influente.
2. Faça tudo pela grana.
É isso aí. Mal terminei a faculdade, já tenho meu próprio livro de auto-ajuda profissional.
Agradecimentos: Xin.
Natal de 2010. Maria, ainda menina, não havia notado os enfeites nas ruas por onde passava por dois motivos: era cega devido aos maus tratos que recebeu, e a data era mais comemorada por ser feriado do que pela vinda de um salvador. A menina só ficou sabendo da data quando uma voz desconhecida, passando por ela, lhe desejou boas festas.
Então era mesmo Natal! Um contentamento a atingiu: os restos de comida que escolhia no meio do lixo logo se transformariam em uma bela ceia. Uma ceia maravilhosa, em uma mesa repleta, rodeada de pais que lhe adotariam. Após sua ceia improvisada, ouviu os cumprimentos entre os ratos que guinchavam fininho de felicidade, se presenteou com as miudezas que havia roubado durante o ano e guardado para a ocasião especial, e foi deitar-se entre o meio-fio e o asfalto, tendo a garoa e a fumaça como sua manta, mas mantendo no candelabro em seu coração um pouco de sonho para se aquecer.
Naquela noite, não precisaria de álcool nem cocaína para sentir-se bem. Bastava-lhe direcionar suas retinas para o alto, o mais que podia, e sentir a presença ofuscante dos pontos luminosos que enfeitavam o céu. Acreditava que as estrelas eram almas vivas, que olhavam pelas pessoas abaixo delas e que algumas vezes atendiam desejos. Naquela noite, o céu estava muito estrelado e bonito – tinha certeza que alguma daquelas estrelas tão brilhantes realizaria seus sonhos.
Natal de 2010. Todos os grandes edifícios mantinham suas luzes ligadas. Centenas de famílias, dependuradas em suas sacadas, faziam contagem regressiva para os fogos de artifício que explodiriam longe dali. Ninguém olhou de volta para Maria.
Como todo ser humano, eu também odeio.
Meu ódio é uma forma de amor. Assim como amo mais as pequenas coisas, concentro meu ódio nos detalhes.
Por exemplo, odeio que me peçam licença no ônibus. Eu sou magro pra cacete, pode passar à vontade!
Odeio que me interrompam. Perco rápido minha linha de raciocínio.
Odeio bater o dedinho no pé da cama. Nem preciso justificar.
Odeio que insistam. Se eu não quero, não quero.
Odeio que repitam, e repitam, e repitam uma informação. Não sou burro.
Eu já disse que odeio que repitam?
Ah, um conselho: não me aconselhe. Odeio.
Odeio música de academia. Odeio funk. Odeio sertanejo. Odeio rap. Odeio emocore. Enfim, odeio rádio FM.
Odeio mulher que se acha gorda demais, magra demais, alta demais, baixa demais, morena demais, branca demais, etc.
Odeio meus pés. E minhas pernas. E minha barriga. E meu peito. E meus braços. E minha mão. E minha cabeça. E meus cabelos…
Odeio pose. Quem faz pose é burro, não tem conteúdo.
Já disse que odeio burrice. Entendeu?
Odeio pessoas felizes demais. Há algo de muito errado na vida delas para reagirem sempre sorrindo.
Odeio suco de melancia. Ah, e de pêra também.
Odeio bexigas. Na verdade, tenho fobia.
Odeio bater o cotovelo e sentir aquele choquinho, sabe qual é?
Também odeio choque eletrostático: quando se está descalço ou molhado, com o corpo quente, e se pega numa maçaneta de metal.
Odeio dor de cabeça. Tanto quanto um jogador de futebol odeia contusões no joelho, e um boxeador odeia ficar com braço enfaixado.
Odeio ficar com pé molhado.
Odeio piadas fáceis. E isso é um problema, porque geralmente é só o que as pessoas entendem.
Odeio que notem minha timidez. Isso me deixa ainda mais tímido.
Odeio quando dizem que estou deprimido. Isso me deixa ainda pior.
Odeio quem compra ou mendiga afeto.
Odeio quando as pessoas vão para longe.
Odeio gostar demais delas.
Odeio quando desconhecidos puxam assunto no elevador. Não tenho assunto.
Odeio quem trabalha demais e quer me mostrar tudo o que faz.
Odeio quando eu trabalho demais e só falo dos meus projetos com os amigos.
Odeio muitas outras coisas que não lembro. Aliás, lembrei que odeio esquecer.
E sabe o que eu mais odeio entre meus pequenos ódios? Odeio quando as pessoas acham que eu não gosto de nada. Que interpretação mais dramática.
Eu apenas me dou a liberdade de odiar algumas coisas.
Porque quase todo o resto, eu amo demais.
Miserável: “Se eu tivesse muito dinheiro, doaria tudo pra caridade.”
Pobre: “Preciso ganhar logo na mega-sena!”
Classe média: “Não precisa ser rico. Só precisa viver bem.”
Rico: “Ah, mas dinheiro não é tão importante assim.”
Observe como um assunto sério e confessional pode virar algo nonsense:
Não lembro o diálogo inteiro, mas lembro o teor da conversa que tive com uma amiga: o que ela espera de um bom homem.
Disse que seu macho tem que ser esperto. Mas como assim, esperto?
“Ah, se por exemplo eu quiser comer alface às 2 da manhã, ele vai achar o alface de qualquer jeito pra mim. E se não achar, vai rodar a cidade inteira pra achar e vai acabar conseguindo vários tipos de alface, mas não vai voltar pra casa sem um pé que eu goste.”
“Porque ele sabe A IMPORTÂNCIA DO ALFACE PRA MIM.”
Já que todo mundo dá risada disso quando eu conto, vou deixar registrado aqui.
Não gosto da minha vó.
Primeiro porque ela só me dá camisetas laranjas e toalhas amarelas de aniversário há 6 anos.
Segundo (essa é a parte engraçada) porque, uma vez, ela e minha mãe tiveram uma discussão familiar pesadíssima aqui em casa. Daí minha vó desmaiou.
Minha mãe deu uns chutinhos na canela dela e disse: “Levanta logo daí que eu sei que você tá fingindo.”
E ela se levantou!
Aprendi com a diretora de arte lá da agência:
# Como organizar seu lanche do McDonalds pra ocupar menos espaço na mesa:
a) abra a caixinha do hamburguer até ela ficar em 180°,
b) derrame as batatas na tampa dela, deixando o hamburguer ao lado.
c) jogue a caixinha original das batatas (aquela vermelha, que nunca pára em pé) no saco de onde veio seu lanche.
d) Pronto: agora você tem uma caixa de hamburguer que serve também pras batatinhas não ficarem caindo, e tem espaço o bastante para botar o seu cotovelo na mesa.
Ainda não entendi por que paulistanos sobem ou descem os degraus das escadas rolantes. Que já foram feitas pra fazerem isso por nós.
# Um elemento tende a ocupar os mínimos espaços deixado por outro em lugares cheios, como ônibus e metrôs no horário de pico.
- Tata, eu interrompi meu raciocínio no projeto, saí do computador, fui até o mercado e fiquei procurando mó tempão aquele côco ralado que você pediu. E aí, cadê aquele beijinho de panela?
- Tata, escrevi lá no blog. Depois você lê? (ps: ela nunca lê)
- Tata, e se você fizesse sua cena de teatro com duas mulheres pintando as unhas dos pés e, de repente, começassem um debate filosófico sobre a existência de Deus?
- “Com esses movimentos, eu estou representando o amor”. “Agora com estes, estou representando a solidão”. Como esse povo que faz dança contemporânea consegue gostar disso? Porque eu nunca ouvi um “não, é que pagam bem, mesmo”.