Quero viver o bastante para
Descobrir, provar e dizer,
Com toda a voz da experiência
O que afirmo desde agora:
Que nem toda primeira impressão é a que fica,
Mas que nem toda aparência engana.
Que nem toda pergunta tem sua resposta,
Mas que é mais grave uma resposta não ter sua pergunta.
Que nem toda tendência é passageira,
Mas que nem todo paradigma deve ser quebrado.
Que nem todo sucesso é retumbante,
E que nem todo fracasso é sem precedentes.
Que nem toda paz é celestial,
Mas que nem todo barulho é infernal.
Que amores platônicos também podem ser recíprocos.
Mas que nem sempre isso acontece com amores correspondidos.
Que a vida nem sempre traz bons momentos,
Mas que a morte, ironicamente, leva os melhores.
Que nem toda dor causa sofrimento.
Que nem toda oportunidade é única,
Que nem toda escolha tem seus critérios,
Que nem toda decisão muda o destino,
Mas que o destino pode mudar decisões.
Que, se existe mistério na vida, está nas melhores circunstâncias,
E que elas nem sempre existem.
Que nem toda liberdade é uma questão de condição.
Que nem toda solidão é só,
Que nem toda companhia acompanha,
Que nem toda multidão está presente.
Que nem sempre imaginar saber é mesmo saber.
Mas que imaginar é sempre mais importante.
E o mais importante,
Que nem toda humanidade está perdida.
(Poema antigo meu. Resolvi relê-lo… estava com saudades dele.)