Miserável: “Se eu tivesse muito dinheiro, doaria tudo pra caridade.”
Pobre: “Preciso ganhar logo na mega-sena!”
Classe média: “Não precisa ser rico. Só precisa viver bem.”
Rico: “Ah, mas dinheiro não é tão importante assim.”
Miserável: “Se eu tivesse muito dinheiro, doaria tudo pra caridade.”
Pobre: “Preciso ganhar logo na mega-sena!”
Classe média: “Não precisa ser rico. Só precisa viver bem.”
Rico: “Ah, mas dinheiro não é tão importante assim.”
Observe como um assunto sério e confessional pode virar algo nonsense:
Não lembro o diálogo inteiro, mas lembro o teor da conversa que tive com uma amiga: o que ela espera de um bom homem.
Disse que seu macho tem que ser esperto. Mas como assim, esperto?
“Ah, se por exemplo eu quiser comer alface às 2 da manhã, ele vai achar o alface de qualquer jeito pra mim. E se não achar, vai rodar a cidade inteira pra achar e vai acabar conseguindo vários tipos de alface, mas não vai voltar pra casa sem um pé que eu goste.”
“Porque ele sabe A IMPORTÂNCIA DO ALFACE PRA MIM.”
Já que todo mundo dá risada disso quando eu conto, vou deixar registrado aqui.
Não gosto da minha vó.
Primeiro porque ela só me dá camisetas laranjas e toalhas amarelas de aniversário há 6 anos.
Segundo (essa é a parte engraçada) porque, uma vez, ela e minha mãe tiveram uma discussão familiar pesadíssima aqui em casa. Daí minha vó desmaiou.
Minha mãe deu uns chutinhos na canela dela e disse: “Levanta logo daí que eu sei que você tá fingindo.”
E ela se levantou!
Aprendi com a diretora de arte lá da agência:
# Como organizar seu lanche do McDonalds pra ocupar menos espaço na mesa:
a) abra a caixinha do hamburguer até ela ficar em 180°,
b) derrame as batatas na tampa dela, deixando o hamburguer ao lado.
c) jogue a caixinha original das batatas (aquela vermelha, que nunca pára em pé) no saco de onde veio seu lanche.
d) Pronto: agora você tem uma caixa de hamburguer que serve também pras batatinhas não ficarem caindo, e tem espaço o bastante para botar o seu cotovelo na mesa.
Ainda não entendi por que paulistanos sobem ou descem os degraus das escadas rolantes. Que já foram feitas pra fazerem isso por nós.
# Um elemento tende a ocupar os mínimos espaços deixado por outro em lugares cheios, como ônibus e metrôs no horário de pico.
- Tata, eu interrompi meu raciocínio no projeto, saí do computador, fui até o mercado e fiquei procurando mó tempão aquele côco ralado que você pediu. E aí, cadê aquele beijinho de panela?
- Tata, escrevi lá no blog. Depois você lê? (ps: ela nunca lê)
- Tata, e se você fizesse sua cena de teatro com duas mulheres pintando as unhas dos pés e, de repente, começassem um debate filosófico sobre a existência de Deus?
- “Com esses movimentos, eu estou representando o amor”. “Agora com estes, estou representando a solidão”. Como esse povo que faz dança contemporânea consegue gostar disso? Porque eu nunca ouvi um “não, é que pagam bem, mesmo”.
- Pai, de acordo com a psicologia cognitiva, os mitos e lendas das cultura orais eram eficientes pra consolidação da sociedade primitiva! Você não entende?!
- Pai, posso até virar solteirão, mas pelo menos EU já fui num puteiro. Você nunca foi, nem pode mais ir.
- Pai, pela última vez, eu não quero comprar seu notebook.
- Pai, pára de pensar em TV de plasma e vai comprar umas meias.
- Mãe e esse suco “Ponchito” de laranja, aqui? Perto dele o Xtapa até natural.
- Mãe, tem coisa mais de mulherzinha do que Polenguinho light?
- Mãe, as suas almôndegas são melhores do que essas do supermercado. E olha que as suas nem são feitas de carne!
- Mãe, quando é que acaba essa novela das 8? Não aguento mais ouvir esses “arebaba”, “arebaguandi”, no meio da rua.
Longe de mim achar que sou engraçada. Meu trabalho é parecido com o de um almoxarife: a diferença é que os arquivos que eu carrego são mais pesados, e algumas vezes são menos importantes. A vida humana é muito burocrática. Mas, de certa forma, é divertido o que os humanos fazem a meu respeito.
Depois do meu trabalho consumado, eu visito os velórios. A “perda” de um ente querido, amigo ou familiar, é de cortar o coração, todos sabemos. Pra quem tá de pé junto, também. Mas velórios são um espetáculo (e nem precisa ser o de um Michael Jackson, televisionado, com ingressos, cantores e depoimentos ao estilo “arquivo confidencial”).
Existem velórios de todos os tipos. Dá até pra conhecer gente legal: numa família de marceneiros, conheci um sanfoneiro nordestino, que tocava forró nos bailes. Ninguém lembrou o cidadão de trazer a sanfona. Uma pena.
Aliás, tem velório que só serve pra isso: conhecer gente nova e, no caso da parentada distante, dar uma fofocada. Eu ouvi cada coisa que nunca imaginaria. Uma reunião de família na qual o caixão do defunto é a mesinha de centro e o palco de falsas amizades reatadas e acusações suaves entre queridos.
Mas o melhor mesmo é quando falta assunto. Já ouviu a expressão “silêncio sepulcral”? Essa expressão é uma grande mentira: não existe silêncio desse tipo. Porque quando a conversa ameaça a ficar mais fria que o defunto, as frases de velório salvam o dia. Uma pequena lista das que ouvi nas minhas andanças:
- Olha a expressão dele. Tão sereno!
- Alguns parentes só aparecem nessa hora, né?
- Ele parecia tão saudável!
- Vão os melhores, ficam os piores. (Quer registrar uma reclamação? Fale com o sindicato).
- Deus sabe o que faz. (Ah, assim está melhor).
- Hoje em dia, tem gente que morre até comendo coxinha!
- Pelo menos não sofreu muito.
- É, ninguém sabe o dia de amanhã… (reticências filosóficas).
- Ele foi para um lugar melhor… tenho certeza (mal sabe ele).
- Sempre tão preocupado(a) com as pessoas… finalmente vai descansar.
- Morreu, morreu. Antes ele do que eu. (a preferida das crianças).
- Aceita um cafezinho? (nunca entendi o que faz uma copeira num velório).
Apesar da clichezada, venho observando que os velórios estão ficando mais modernos, menos encanados com rituais: num deles pediram pizza, Habib’s e refri nos seus. Noutro, por vingança da amante, convidaram uma dançarina para fazer pole-dancing em cima do caixão (juro!). Num enterro que visitei tinha TV no teto. Quase ligaram a TV pra assistir ao Esporte Espetacular, ver o resultado da liga de vôlei. Também já rolou concurso entre os amigos para ver quem presenciou o “causo” mais absurdo, engraçado e improvável do falecido. Gostei! Valeu o ingresso!
Aliás, cá entre nós, meu amigo e minha amiga: se existem duas ocasiões na vida em que as pessoas se esforçam pra ser criativas, é nos preparativos do casamento e nos da morte. Há uma possível relação entre ambas (principalmente para os homens). Mas a parte do casório eu deixo para falar em outro momento.
Se o defunto não tiver uma religião que o impeça, basicamente, existem três modalidades de morte: enterro, cremação e doação de órgãos.
No caso do enterro, o número de pesquisas com o verbete “epitáfio” vem crescendo no Google. Pessoas procuram uma frase bonita e profunda (mais do que sete palmos), para gravar na lápide e deixar um recado para a posteridade. Este momento representa uma fina ironia sobre a existência humana: enquanto uma pessoa estará sendo comida pelos vermes, outra estará lendo uma mensagem edificante e memorável. Justo.
Também há um número crescente de pessoas que preferem ser cremadas. Cremar dá muito mais opções, pensam elas. Você vira cinzas e pode desde ser botado numa simples caixinha de madeira, quanto fumado num baseado, queimado com objetos simbólicos (livros, fotos e calcinhas são os mais pedidos), “assoprado” em alto-mar ao som de uma música de novela, ou ir parar numa lata de leite moça e ser enterrado em lugares insólitos, como no Grand Canion.
E para os bonzinhos que por acaso morrerem “intocados”, de morte encefálica (o que é ironicamente bem raro), a doação de órgãos. Não vou explicar demais: já até fizeram um filme a respeito. No entanto, ao contrário do que apareceu no filme (que eu odiei), não é tão parecido com um presente de amigo secreto, no qual você escolhe para quem vai sua córnea ou seu fígado… vai pro primeiro que estiver na fila e for compatível. Ah, essas coisas de Hollywood…
Agora falando sério, engraçado mesmo é como todo mundo que morre se dá melhor: ou vira santo, ou vende mais. Durante a vida a gente sabe que a pessoa não era lá grande coisa, nem parece fazer falta. Mas quando tá prestes a ir pra baixo da terra, meus compadres, todo mundo fica triste. Diz que foi um exemplo de ser humano. Deve ser por isso que alguns vivos, quando ficam deprimidos e se sentem uns bostas, tentam se imaginar no próprio velório.
Bem pessoal, é só isso. Obrigado pela atenção. Até logo, heim! E um conselho: haja o que houve, não morram virgens.