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A cura.

- Doutor, então quer dizer que não sentirei mais dores?

- Não sentirá.

- De nenhuma espécie?

- Nenhum tipo de dor.

- Nem mesmo as de amor?

- Garanto que não!

- Nada de desilusões, traições, falsas amizades…

- Foram embora.

- E a solidão, doutor?

- Todos vão se juntar a você.

- Ódio, rancor, ira?

- Apenas o perdão.

- Medos, angústias, ansiedades?

- Apenas as certezas.

- Nada de lágrimas?

- Secaram.

- Então estou curado mesmo?

- Completamente curado.

- Nossa, muito obrigado, doutor!

- Fiz tudo o que pude, rapaz.

- Posso pedir só mais um favor?

- Claro.

- Fecha a gaveta para mim?

- Sim. Já tinha mesmo que escrever o relatório. Adeus!

- Adeus!

Então o médico legista apaga as luzes e encaminha-se para escrever a certidão de óbito.

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Minha querida avó.

Já que todo mundo dá risada disso quando eu conto, vou deixar registrado aqui.

Não gosto da minha vó.

Primeiro porque ela só me dá camisetas laranjas e toalhas amarelas de aniversário há 6 anos.

Segundo (essa é a parte engraçada) porque, uma vez, ela e minha mãe tiveram uma discussão familiar pesadíssima aqui em casa. Daí minha vó desmaiou.

Minha mãe deu uns chutinhos na canela dela e disse: “Levanta logo daí que eu sei que você tá fingindo.”

E ela se levantou!

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Monólogos com minha irmã

- Tata, eu interrompi meu raciocínio no projeto, saí do computador, fui até o mercado e fiquei procurando mó tempão aquele côco ralado que você pediu. E aí, cadê aquele beijinho de panela?

- Tata, escrevi lá no blog. Depois você lê? (ps: ela nunca lê)

- Tata, e se você fizesse sua cena de teatro com duas mulheres pintando as unhas dos pés e, de repente, começassem um debate filosófico sobre a existência de Deus?

- “Com esses movimentos, eu estou representando o amor”. “Agora com estes, estou representando a solidão”. Como esse povo que faz dança contemporânea consegue gostar disso? Porque eu nunca ouvi um “não, é que pagam bem, mesmo”.

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Monólogos com meu pai.

- Pai, de acordo com a psicologia cognitiva, os mitos e lendas das cultura orais eram eficientes pra consolidação da sociedade primitiva! Você não entende?!

- Pai, posso até virar solteirão, mas pelo menos EU já fui num puteiro. Você nunca foi, nem pode mais ir.

- Pai, pela última vez, eu não quero comprar seu notebook.

- Pai, pára de pensar em TV de plasma e vai comprar umas meias.

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Monólogos e diálogos com minha mãe

- Mãe e esse suco “Ponchito” de laranja, aqui? Perto dele o Xtapa até natural.

- Mãe, tem coisa mais de mulherzinha do que Polenguinho light?

- Mãe, as suas almôndegas são melhores do que essas do supermercado. E olha que as suas nem são feitas de carne!

- Mãe, quando é que acaba essa novela das 8? Não aguento mais ouvir esses “arebaba”, “arebaguandi”, no meio da rua.

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Nerdices.

Ao passar o Avira Antivírus no meu computador, noto que o nome da tela de escaneamento é:

Luke Filewalker

***

A criatividade nerd não tem limites.

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